

Nos dias 26 e 27 de Fevereiro de 2026, decorreu no Hotel Avenida, em Maputo, uma acção de formação dirigida a professores do ensino básico e técnico-profissional, subordinada a matérias de cibercrime e segurança digital. A iniciativa, promovida pelo Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC) em parceria com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), contou com a participação de cerca de 50 docentes que leccionam a disciplina de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) a alunos com idades compreendidas entre os 12 e os 17 anos, no ensino básico e técnico-profissional.
O objectivo principal da formação foi reforçar a capacidade dos professores para orientar os seus alunos para uma navegação segura, responsável e consciente no espaço digital. A iniciativa visa dotar os docentes e formadores de conhecimentos técnicos e pedagógicos que lhes permitam actuar como agentes de prevenção nas suas instituições de ensino, promovendo uma cultura de segurança digital junto das comunidades escolares.
A formação abrangeu um conjunto diversificado de matérias técnicas e pedagógicas, estruturadas em torno de três grandes eixos: a compreensão dos tipos de crimes cibernéticos, a promoção de boas práticas de segurança digital e as estratégias pedagógicas para transmitir estes conhecimentos aos alunos em contexto de sala de aula.
No domínio técnico, os professores foram instruídos sobre as principais ameaças presentes no ambiente digital, incluindo phishing, roubo de identidade, extorsão online, burlas electrónicas e cyberbullying. Foram igualmente abordadas as formas de identificar e denunciar incidentes cibernéticos, bem como os mecanismos disponíveis para a denúncia às autoridades competentes, nomeadamente ao CSIRT Nacional do INTIC.
Na vertente das boas práticas, os formandos aprenderam sobre a criação de senhas seguras e a importância de utilizar palavras-passe distintas em cada plataforma digital. Foram ainda sensibilizados para os cuidados a ter na partilha de informações pessoais sensíveis — como número de telefone, fotografia, localização, dados de residência e informações financeiras — e para a necessidade de verificar a autenticidade e credibilidade das fontes de informação antes de partilhar qualquer conteúdo nas redes sociais ou outros meios digitais.
A formação incluiu também uma componente pedagógica, dedicada a preparar os professores para transferirem estes conhecimentos de forma eficaz para os seus alunos. Os docentes receberam orientações sobre como abordar temas sensíveis, como o cyberbullying e a exposição indevida de imagens, em contexto de sala de aula, adoptando uma linguagem adequada à faixa etária dos estudantes. Foram igualmente fornecidas ferramentas e metodologias para envolver os encarregados de educação neste processo, reforçando o papel da escola como elo entre a família e as tecnologias digitais.
Outro aspecto central da formação foi a capacitação dos professores para identificarem sinais de risco entre os alunos, nomeadamente comportamentos que possam indicar situações de abuso, assédio ou exposição a conteúdos inadequados no ambiente digital. Neste sentido, os docentes foram orientados a funcionar como primeiros respondentes, sabendo como actuar e a quem reportar em caso de incidente.